Ser enfermeiro

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sábado, 29 de maio de 2010

Obstetrícia.

I-Contratilidade uterina

1. Introdução:

O útero é um órgão único e central é constituído quase exclusivamente por fibras musculares que tem como principal função gerar contrações. Durante a gestação o útero serve de continente para o feto, placenta, líquido e saco amniótico. Durante todo esse período, o corpo uterino apresenta considerável e contínuo crescimento. São observadas poucas contrações uterinas, e, quando presentes de forma fisiológica, não interferem no crescimento e desenvolvimento fetal. Contrariamente, durante o trabalho de parto, o músculo uterino adota tipo de contração com características próprias, com o objetivo de preparar o seguimento inferior do côo uterino, cuja dilatação permitirá a passagem do feto durante a parturição, terminada a dilatação do colo, novamente o útero modifica suas contrações, agora com o objetivo de expulsar o feto e posteriormente a placenta com contrações mais intensas e prolongadas. Após o parto as contrações uterinas exercem papel na prevenção de hemorragias, por meio da oclusão da artéria espiraladas, denominadas “ligaduras vivas de Pinard”.

2. Contrações Uterinas Durante a Gestação:

Durante a gestação ocorrem dois tipos de contrações uterinas as do tipo A e as do tipo B(ou Brexton Hicks). As primeiras são de grande freqüência e pouca intensidade, já as segundas devem ser raras até a 28ª sem de IG, sendo mais freqüentes após esse período, elas são de pouca freqüência e de grande intensidade, sendo ainda indolores tendo o objetivo de massagear o feto para estimular a sua circulação.

Nas últimas semanas da prenhez (fase pré parto), as contrações de Brexton Hicks aumenta em freqüência, com conseqüente distensão do seguimento inferior e algum encurtamento do canal cervical, justificando-se desse modo, a chamada queda do ventre nas nulíparas. Nessa fase o colo tem espessura de 1-2cm e comprimento de 3cm.

3. Contrações Uterinas Durante O Parto:

Neste período encontram-se contrações com características diferentes e podem ser perfeitamente diferenciadas em: contrações de pré-parto. Elas são resultados do aumento da freqüência das contrações do tipo B e do aumento da intensidade das contrações do tipo A. seja qual for sua origem ela se apresenta com freqüência de 1 ou 2 em 10 min e intensidade oscilando entre 20 a 40mmHg.

Essas contrações uterinas se transformam paulatinamente em contrações do parto propriamente dito e apresentam diferentes características em relação ao tono, à intensidade, á freqüência e a duração.

Tono: é o produto da semi-contração das fibras uterinas, tendo como resultado final um leve aumento da pressão intra-uterina. É conceituado como a menor pressão amniótica encontrada entre duas contrações uterinas. Quando esse tono ultrapassa 10mmHg admite-se estado de hipertonia, condição que oferece grande risco a saúde do feto e da mãe, já tono inferior a 8mmHg admite-se hipotonia, que por outro lado não oferece risco.

Intensidade: é o produto de uma contração completa do músculo uterino. Pode ser classificada como fraca, moderada e forte.

Freqüência: é o nº. de contrações ocorridas no intervalo convencionado de 10min. A freqüência aumenta com evoluir do trabalho de parto: em geral são de 3 na fase inicial da dilatação, passam para 4 na sua fase final e para 5 na fase expulsiva.

Duração: uma forma indireta de avaliar clinicamente a intensidade de uma contração uterina é através de sua duração.

4. origem, propagação e coordenação (tríplice gradiente descendente):

As contrações se originam em um dos marcapassos existentes nos cornos uterinos, sendo provavelmente o direito de maior domínio. A partir desse local, num primeiro momento a onda contrátil a onda contrátil se expande através de propagação elétrica das fibras contíguas. Posteriormente a onda contrátil se expande pelas fibras contráteis do fundo uterino e do corno oposto. A onda continua seu percurso descente pelo corpo até atingir o seguimento inferior do útero. A partir desse momento começa em todas as partes do útero um processo de relaxamento contrátil na velocidade de 2cm/s. Essas contrações são mais intensas na porção superior do útero e como elas desaparecem ao mesmo tempo em todo o órgão depreende-se que elas são mais duradoras na região fúndica. A essas três características dar-se o nome de tríplice gradiente descendente.

5. Fatores Que Modificam A Atividade Uterina:

· Decúbito dorsal: comprime a veia cava inferior provocando síndrome supino - hipotensiva.

· Decúbito lateral: melhora as condições homeostáticas do feto, por meio do melhor intercâmbio sanguíneo fetoplacentário.

6. Funções da Contratilidade Uterina:

· Manutenção da gravidez: pelo chamado bloqueio progesterônico. A progesterona tem a capacidade de diminuir a sensibilidade da célula miometrial ao estímulo contrátil, por hiper-polarização da membrana, bloqueando a condução da atividade elétrica. O bloqueio progesterônico efetivo impede o descolamento da placenta, não só durante a prenhez, como no ambiente hostil da parturição.

· Dilatação do istmo e do colo uterino: no pré-parto, a contração encurta o corpo uterino e é exerce tração longitudinal do seguimento inferior, que se expande, e na cérvice, que progressivamente se apaga e se dilata.

· Descida e expulsão do feto

· Descolamento da placenta

· Hemóstase puerperal: a atividade do útero no pós-parto é indispensável para coibir a hemorragia no sítio placentário, onde a hemóstase depende fundamentalmente do tono uterino, das contrações e da retração das fibras musculares.

7. O Determinismo do Parto:

· Ocitocina

· Diminuição da Progesterona.

· Aumento da Testosterona

· Ac. Aracdônico

· Prostaglandinas

· Ação do cortizol no feto

· Fosfolipídeos



8. Indução do Parto:

São aqueles iniciados artificialmente. A indução pode ser terapêutica ou eletiva. São contra-indicações para parto induzido:

· Desproporção céfalo-pélvica;

· Gestação múltipla;

· Apresentação anômala;

· Útero anteriormente cesareado ou miomectomizado

· Grande multiparidade

8.1. Indução Com Ocitocina:

A ocitocina utilizada é a sintética, por via endovenosa em infusão contínua. A velocidade de infusão depende da idade da gestação, diminuindo com a proximidade do termo, onde as doses fisiológicas variam entre 1 a 8 mU/min. A resposta do útero a ocitocina é muito individual.

Clinicamente, resposta satisfatória de ocitocina é caracterizada por contrações que duram entre 50 a 70 segundos, exibem freqüência de 3-4/10min e mostram tono normal. A contratilidade eficiente dilata o colo sem perturbar a homeostase fetal. Doses elevadas causam hipertonia por polissistolia com asfixia do concépto.

8.1.1. Doses necessárias de acordo com a idade gestacional:

> 20 sem: o útero só reage com doses muito elevadas → 32,62 e 128mU/min

Entre 20 e 40 sem: 16 a 8 um/min para se conseguir contrações semelhantes a do parto espontâneo.

30sem: 4mU/min

Entre 32-36 sem: 1 a 2mU/min é suficiente.

Durante o parto, em 80% dos casos, convém diminuir a velocidade de perfusão ou mesmo suspender o medicamento, pois o acréscimo espontâneo da atividade uterina pode tornar doses fisiológicas, agora excessivas. Nos demais 20% a atividade uterina não se modifica com o progredir da dilatação, nessas circunstâncias não se deve reduzir o ocitócico, vez que a contratilidade diminuirá, caindo para valores dentro dois quais o parto estaciona.

8.2. Indução pela Rotura das Membranas :

Só é indicada quando o colo está maduro e apresentação insinuada, condições encontradas a termo da prenhez. A rotura das membranas é sempre precedida por seu descolamento, na maior extensão possível. Rompe-se a seguir o saco amniótico, com instrumento adequado, após o que se eleva a apresentação, permitindo-se o escoamento do líquido.

O grande inconveniente do método reside na possibilidade de período latente longo, com o risco de infecção amniótica. O prolapso do cordão e a pré-maturidade são complicações de monta.

Obs.: com o colo maduro propõe-se a indução por ocitocina intravenosa rompendo-se ou não as membranas no início da dilatação. Ausente as condições cervicais favoráveis melhor será o parto cesário.


Um comentário:

  1. queria dizer que gosto muito do seu trabalho :) obrigada pelas suas publicações! Sou estudante do 3º ano de enfermagem em portugal e tenho maternidade este ano, é bom poder esclarecer as duvidas. Obrigada :D

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