Ser enfermeiro

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sábado, 29 de maio de 2010

CASO CLÍNICO DE AIDS

1. Fundamentação Teórica

1.1. Definição

A AIDS é uma doença que se manifesta após a infecção do organismo humano pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, mais conhecido como HIV. Esta sigla é proveniente do inglês - Human Immunodeficiency Virus. Também do inglês deriva a sigla AIDS, Acquired Immune Deficiency Syndrome, que em português quer dizer Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

1.2. Transmissibilidade

A transmissão ocorre através das relações sexuais (tanto heterossexuais e homossexuais), da inoculação de sangue e derivados e da mãe infectada para o filho (transmissão vertical). O risco de transmissão do homem para a mulher e vice-versa é pequena (0,003%), porém esse risco pode ser aumentado em 10 vezes ou mais, na dependência da existência de outros fatores, tais como: presença de úlceras genitais ou de doenças sexualmente transmissíveis; estar o transmissor em fase avançada da imunodeficiência ou durante a síndrome da soroconversão; a ausência de circuncisão; manter relações sexuais durante o período menstrual ou durante a gravidez.

A transmissão vertical pode ocorrer durante a gestação, no trabalho de parto, durante o parto e ainda durante o aleitamento materno.

1.3. Agente Etiológico

O Agente Etiológico da AIDS foi identificado desde 1983. O HIV é um retrovírus e como tal seu material genético é o RNA, caracterizando-se pela presença de uma enzima, transcriptase reversa, que permite a transcrição do RNA viral em DNA. Essa cópia de DNA é capaz de integrar-se ao genoma da célula hospedeira, passando a fazer parte do seu patrimônio genético.

O HIV infecta principal, porém não exclusivamente, células que apresentem a molécula CD4 em sua superfície, principalmente linfócitos T-helper e macrófagos.

1.4. Infectividade

Sua evolução pode ser dividida em três fases: infecção aguda, que pode surgir algumas semanas após a infecção inicial, com manifestações como febre, calafrios, sudorese, mialgias, cefaléias, dor de garganta, sintomas gastrintestinais, linfadenopatias generalizadas e erupções cutâneas. A maior parte dos indivíduos apresentam sintomas auto-limitados, entretanto, a maioria não é diagnosticada devido a semelhança com outras doenças virais. Em seguida o paciente entra em uma fase de infecção assintomática, de duração variável de alguns anos. A doença sintomática, da qual a AIDS é a sua manifestação mais grave, ocorre na medida em que o paciente vai apresentando alterações da imunidade, com o surgimento de febre prolongada, diarréia crônica, perda de peso importante (superior a 10% do peso anterior do indivíduo), sudorese noturna, astenia e adenomegalia. As infecções oportunistas passam a surgir ou reincindivar, tais como tuberculose, pneumonia por Pneumocistis carini, toxoplasmose cerebral, candidíase e meningite por criptococos, dentre outras. Tumores raros em indivíduos imunocompetentes, como o sarcoma de Kaposi, podem surgir, caracterizando a AIDS. A ocorrência de formas graves ou atípicas de doenças tropicais, como a paracoccidioidomicose, leishmaniose e doença de Chagas, tem sido observado no Brasil.

OBS.: Acreditava-se que o período entre a infecção e o desenvolvimento de imunodeficiência (a fase assintomática) fosse uma fase de latência viral, porém em 1994 mostrou-se que, ao menos do ponto de vista viro lógico e imunológico, não existe latência. Isto é, mesmo indivíduos assintomáticos produzem enormes quantidades de vírus.

1.6. Testes Diagnósticos

Os testes para detecção da infecção pelo HIV podem ser divididos basicamente em quatro grupos:

  • Detecção de anticorpos;
  • Detecção de antígenos;
  • Cultura viral; e
  • Amplificação do genoma do vírus.

OBS:

Soroconversão: é a positivação da sorologia para o HIV. A soroconversão é acompanhada de uma queda expressiva na quantidade de vírus no plasma (carga viral), seguida pela recuperação parcial dos linfócitos T CD4+ no sangue periférico. Esta recuperação é devida tanto à resposta imune celular quanto à humoral. Nesta fase observa-se o seqüestro das partículas virais e das células infectadas (linfócitos T-CD4+) pelos órgãos linfóides responsáveis por nossa imunidade, particularmente os linfonodos.

Janela imunológica: é o tempo compreendido entre a aquisição da infecção e a soroconversão (também chamada de janela biológica). O tempo decorrido para a sorologia anti-HIV tornar-se positiva é de seis a 12 semanas após a aquisição do vírus, com o período médio de aproximadamente 2,1 meses. Os testes utilizados apresentam geralmente níveis de até 95% de soroconversão nos primeiros 5,8 meses após a transmissão.

1.7. Tratamento

Existem, até o momento, duas classes de drogas liberadas para o tratamento anti-HIV:

1.7.1. Inibidores da transcriptase reversa

· Zidovudina (AZT) cápsula 100 mg, dose:100mg 5x/dia ou 200mg 3x/dia ou 300mg 2x/dia;

· Zidovudina (AZT) injetável, frasco-ampola de 200 mg;

· Zidovudina (AZT) solução oral, frasco de 2.000 mg/200 ml;

· Didanosina (ddI) comprimido 25 e 100mg, dose: 125 a 200mg 2x/dia;

· Zalcitabina (ddC) comprimido 0,75mg, dose: 0,75mg 3x/dia;

· Lamivudina (3TC) comprimido 150mg, dose: 150mg 2x/dia;

· Estavudina (d4T) cápsula 30 e 40mg, dose: 30 ou 40mg 2x/dia; e

· Abacavir comprimidos 300 mg, dose: 300 mg 2x/dia.

Não-nucleosídeos

· Nevirapina comprimido 200 mg, dose: 200 mg 2x/dia;

· Delavirdina comprimido 100 mg, dose: 400 mg 3x/dia; e

· Efavirenz comprimido 200 mg, dose: 600 mg 1x/dia.

Nucleotídeo:

· Adefovir dipivoxil: comprimido, 60 e 120 mg, dose: 60 ou 120 mg 1x/dia.

1.7.2. Inibidores da protease

· Indinavir cápsula 400 mg, dose: 800 mg 3x/dia;

· Ritonavir cápsula 100mg, dose: 600mg 2x/dia;

· Saquinavir cápsula 200mg, dose: 600mg 3x/dia;

· Nelfinavir cápsula de 250 mg, dose 750 mg 3x/dia; e

· Amprenavir cápsula de 150 mg, dose 1.200 mg 2x/dia.

1.8. Prevenção

Até hoje muitas pessoas acreditam que a AIDS é uma doença restrita aos chamados grupos de risco, como os profissionais do sexo ou os homossexuais. Mas a epidemia de AIDS mostrou que todos têm de se prevenir: homens e mulheres, casados ou solteiros, jovens e idosos, todos, independente de cor, raça, situação econômica ou orientação sexual.

Para se prevenir da AIDS, você deve usar corretamente a camisinha nas relações sexuais e apenas agulhas e seringas descartáveis. Para evitar que a AIDS passe da mãe para o filho, todas as gestantes devem começar o pré-natal o mais cedo possível e fazer o teste de AIDS. As DST podem trazer sérios problemas de saúde e ainda aumentam em até 18 vezes a chance de se contrair o HIV, vírus da AIDS. Por isso, a prevenção e o tratamento das DST é muito importante.

2. Estudo de Caso

2.1. Diagnóstico no momento da internação

· SIDA

· Neuro- toxo

· Monilíase oral

· Meningite

· Infecção do trato-urinário

2.3. Histórico

Data da Internação: 09/03/0,

Paciente, oriunda de São Domingos do Capim, descobriu a dois meses que era portadora do vírus HIV. Refere não ter idéia da forma de transmissão e nem quando se contaminou. Possui um filho, não usava preservativos com seus parceiro, nega utilização de dragas ilícitas, ex-fumante, nega etilismo. Nega doenças crônico-degenerativas e refere caso de diabetes e hipertensão na família. Diz não saber se seu filho é portador do vírus, pois não realizou a teste anti- HIV durante a gestação e realizou aleitamento materno. Foi hospitalizada com quadros de êmese, cefaléia, incoordenação motora, tosse, febre e edema e hiperemia ocular, sugestivo para conjuntivite.

2.2. Evolução

22/03/07: Consciente, orientada no tempo e no espaço, normotensa, normopnéica e hipocorada. Apresenta edema palpebral esquerdo acompanhado de hiperemia da mucosa ocular com lacrimejamento acentuado com dor, sugestivo para conjuntivite, à ausculta pulmonar presença de ronco na base do pulmão direito. Emagrecida, abdome indolor à palpação. Refere tosse produtiva com expectoração de cor amarelada e dificuldade de deambulação, necessitando de auxílio de cadeira de rodas. Aceita dieta oferecida, sono e repouso preservados após medicação analgésica para controle da dor ocular. Diurese evacuações espontâneas e preservadas. Higiene regular. Apresenta acesso venoso periférico em membro superior esquerdo salinizado.

24/03/07: Consciente, orientada no tempo e no espaço, normotensa, normopnéica e hipocorada. Apresenta edema palpebral esquerdo reduzido facilitando a abertura dos olhos, à ausculta pulmonar permanência do ronco na base do pulmão direito. Refere persistência da tosse produtiva com expectoração de cor amarelada e melhora na deambulação, necessitando de auxílio de para apoio. Aceita dieta oferecida, porém refere náuseas pós-prandial, sono e repouso preservados. Diurese evacuações espontâneas e preservadas. Permanência do acesso venoso periférico em membro superior esquerdo salinizado.

27/03/07: Consciente, orientada no tempo e no espaço, PA: 100/60 mmHg, normopnéica, afebril, pele e mucosas hipocoradas. Refere melhora da tosse e diminuição do edema palpebral e do lacrimejamento, deambulando com apoio e devido à dificuldade de enxergar. Aceita dieta oferecida, porém persistem as náuseas, sono e repouso preservados após. Diurese evacuações espontâneas e preservadas. Apresenta acesso venoso periférico em membro superior esquerdo há sete dias.

28/03/07: Paciente consciente e orientada no tempo e no espaço, refere aumento do edema palpebral e da dor ocular, diz que sua medicação não foi realizada no turno da noite e por isso a dor não a deixou dormir. Aceita dieta, mas as náuseas persistem. Já consegue deambular e realizar tarefas como tomar banho sozinha. Diurese e evacuações presentes e preservadas.


3. Sistematização da Assistência de Enfermagem

O processo de enfermagem é uma seqüência organizada de etapas, identificadas como: levantamento de dados, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação utilizadas para solucionar problemas de saúde do paciente. Neste trabalho abordaremos o diagnóstico e as prescrições de enfermagem.

3.1. Diagnósticos e Proscrições.

Resposta Humana afetada

Diagnóstico de Enfermagem

Prescrições de Enfermagem

Dor no olho esquerdo

Conforto prejudicado relacionado à dor aguda no olho esquerdo evidenciado por gemidos, inquietude e outros.

· Promover alívio da dor com administração de medicação prescrita;

· Explicar a causa da dor ;

· Ensinar método de distração durante a dor aguda (como respiração ritmada, contar objetos visíveis ou contar para si mesma)

Não consegue dormir quando está com dor.

Padrão de sono perturbado relacionado à dor aguda, evidenciado por sonolência durante o dia.

· Promover alívio da dor com administração de medicação prescrita;

· Proporcionar a pessoas oportunidade de repousar durante o dia (deve repousar quando a dor estiver diminuída).

· Acionar o plantonista e sugerir a troca da medicação se a mesma não estiver surtindo efeito

Não consegue deambular

Deambulação prejudicada relacionada à diminuição da força e da resistência, secundário a prejuízo neuromuscular ( neuro-toxo)

· Realizar exercícios passivos de amplitude de movimento nos membros afetados.

· Providenciar a mobilização progressiva.

· Observar e ensinar o uso de cadeira de rodas, praticando transferência e manobras em torno de barreiras.

Tosse produtiva e expectoração

Risco para função respiratória prejudicada relacionado à presença de secreção excessiva e espessa, secundária a infecção no trato respiratório.

· Realizar exercícios de respiração profunda de hora em hora e sessões de tosse conforme necessidade.

· Relatar a importância dos exercícios respiratórios diários.

· Aumentar a ingesta líquida para fluidificar as secreções.

Higiene regular

Déficit para o auto-cuidado relacionado à dependência física e dificuldade de enxergar, evidenciado por unhas grande e sujas.

· Orientar a importância da higiene na prevenção das infecções.

· Providenciar tesourinha para cortar as unhas.

· Orientar a acompanhante para realizar os cuidados higiênicos necessários.

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